A importância da defesa sanitária animal na produção agropecuária foi tema de uma palestra promovida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), nesta terça-feira (6/8), durante o 35º Encontro Estadual de Hortigranjeiros. A atividade ocorreu no Auditório do Centro Administrativo, localizado no Parque Municipal de Exposições Alfredo Leandro Carlson, em Santa Rosa.
O evento reuniu cerca de 70 participantes, entre agricultores, técnicos da Emater/RS-Ascar, representantes da Associação dos Produtores de Hortigranjeiros (Aphrosa) e demais interessados no tema. Na abertura, o gerente regional da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, Valmir Thume, destacou a relevância da atuação conjunta entre instituições. “Trabalhar de forma coletiva é essencial para que a informação chegue com clareza e possa ser colocada em prática, beneficiando produtores e consumidores”, afirmou.
Defesa sanitária como base da segurança alimentar
Na sequência, a médica veterinária Coralia Medeiros apresentou o funcionamento do Serviço Veterinário Oficial e destacou que a defesa sanitária animal está diretamente ligada à segurança alimentar — ou seja, à oferta de alimentos em quantidade adequada e com qualidade.
Segundo ela, a garantia dessa segurança depende do controle de doenças com alto impacto econômico e sanitário, como febre aftosa, brucelose, tuberculose, raiva, encefalopatia espongiforme bovina, entre outras zoonoses e enfermidades específicas de cada espécie.
Coralia alertou que essas doenças comprometem não apenas a saúde dos rebanhos, mas também a exportação de produtos agropecuários, uma vez que muitos países impõem exigências sanitárias rigorosas. Por isso, ressaltou o papel do Serviço Veterinário Oficial na implementação de programas de prevenção, controle e erradicação, por meio de ações como vigilância ativa e passiva, vacinação, interdição de propriedades e monitoramento de rebanhos.
Certificações e inspeção oficial
A palestrante também abordou o papel das organizações internacionais, como a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), responsável pela emissão de certificações reconhecidas globalmente, como a de zona livre de febre aftosa.
Além disso, explicou o funcionamento do sistema de inspeção de produtos de origem animal, que conta com selos como o SIF (federal), SIE (estadual) e SIM (municipal). Esses selos atestam a qualidade e segurança dos alimentos, possibilitando sua comercialização em diferentes esferas — municipal, estadual e federal.
Coralia apresentou a estrutura da Defesa Sanitária Animal no Rio Grande do Sul, composta por supervisões regionais, inspetorias e escritórios locais. Ela reforçou a obrigatoriedade de notificação imediata em casos suspeitos de doenças de alta transmissibilidade.
“O produtor ou técnico responsável deve comunicar imediatamente qualquer sinal clínico suspeito, como salivação excessiva, feridas na boca, claudicação ou queda brusca na produção”, orientou.
Ações estratégicas e tecnologias aplicadas
Na continuidade, a médica veterinária e fiscal estadual agropecuária da Seapi, Janine Marques da Silva, falou sobre a Plataforma de Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (PDSA-RS), ferramenta fundamental no enfrentamento de focos de doenças como Newcastle e influenza aviária.
O engenheiro agrônomo e fiscal da Seapi, Kleiton Saggin, também participou da atividade, abordando o Greening — doença que afeta os citros — e orientando sobre os cadastros de aplicadores de hormonais.
A palestra foi concluída por Janine Marques, que complementou o tema com exemplos de doenças de notificação obrigatória e boas práticas de manejo. Ela reforçou a importância da atuação integrada entre técnicos, produtores e poder público na preservação da saúde dos rebanhos e na sustentabilidade da produção agropecuária.
A atividade integrou a programação técnica do encontro de Hortigranjeiros, contribuindo para a qualificação dos participantes e para o fortalecimento das boas práticas no campo.
Créditos: secretaria da Agricultura RS




