De 14 a 20 de julho, a capital mato-grossense recebe a 22ª edição do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá – CINEMATO, que este ano bateu recorde de inscritos.
Com o tema “Decolonizando a Amazônia” e uma homenagem ao cineasta Silvino Santos (1886 – 1970), reconhecido como o “cineasta da selva” por sua contribuição pioneira ao registro audiovisual da Amazônia no século XX, o evento propõe uma reflexão contemporânea sobre a construção do importante território e bioma da Amazônia, destacando narrativas e sujeitos que muitas vezes são marginalizados.
A programação Gratuita traz 62 filmes de 19 estados do Brasil (SC, TO, SE, AL, MG, BA, RS, DF, MT, AM, PR, CE, PB, SP, PE, GO, RN e ES) dividas nas Mostras Competitivas de Curtas e Longas-Metragens, Cinema Escola, Hors Concours, Melhor Idade, Cinema Paradiso e Sessão Queimada Cuiabana. A maioria das sessões acontece no Teatro da UFMT em Cuiabá, além do Prêmio Dira Paes.
Abertura
O evento abre no dia 14 de julho com uma sessão especial do documentário restaurado ‘Amazonas, o Maior Rio do Mundo’, de Silvino Santos, que contará com uma trilha sonora ao vivo executada pelos musicistas Henrique Santian e Jhon Stuart. Realizado entre 1918 e 1920, o filme retrata a paisagem, os ciclos econômicos e o cotidiano ribeirinho da região em impressionantes imagens em preto e branco. A obra, considerada perdida por quase um século, foi redescoberta em 2023 na República Tcheca. A sessão também marcará o início da homenagem oficial ao cineasta luso-brasileiro, autor de clássicos como ‘No Paiz das Amazonas’ (1921), que documentou as relações de trabalho e as transformações na floresta durante o ciclo da borracha.
Filmes em Competição
Neste ano, 21 filmes – 6 longas e 15 curtas nacionais – foram selecionados para concorrer ao Troféu Coxiponé, inspirado na etnia bororo que habitava as margens do Rio Coxipó, símbolo da resistência cultural em Mato Grosso. A curadoria priorizou obras com diversidade estética e narrativa, protagonismo de grupos historicamente invisibilizados e conexões com o tema da Amazônia decolonial.
Os longas da Mostra Competitiva são ‘Mawé’, de Jimmy Christian (AM), ficção que narra o conflito de uma jovem indígena entre os rituais de sua aldeia e a vida urbana; ‘Pedra Vermelha’, de Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt (SC), documentário que acompanha comunidades impactadas por megaprojetos no Sul do país; ‘Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta’, de Marco Altberg e Tainá de Luccas (RJ), que mergulha no pensamento cosmológico yanomami; ‘O Silêncio das Ostras’, de Marcos Pimentel (MG), um ensaio sensorial sobre luto e meio ambiente; ‘Concerto de Quintal’, de Juraci Júnior (RO), que transforma a música em instrumento de resistência e pertencimento; ‘Serra das Almas’, de Lírio Ferreira (PE), que revisita a poética sertaneja em uma obra de ficção.
Já na Mostra de Curtas-Metragens, foram selecionados: ‘Maira Porongyta – o aviso do céu’, de Kujãesage Kaiabi (MT); ‘Albuesas’, de Glória Albues (MT); ‘Reagente’, de Bruno Bini (MT); ‘Cabeça de Boi’, de Lucas Zacarias (MG); ‘O Enegrecer de Iemanjá’, de Uê Puauet (PR); ‘Tapando Buracos’, de Pally e Laura Fragoso (AL); ‘Benção’ (BA); ‘Dandara’ (GO); ‘Coisa de Preto’ de Pâmela Peregrino (SE); ‘Linda do Rosário’ de Vladimir Seixas (RJ); ‘Marcos, o Errante’ de Thiago Brandão (BA); ‘O Último Varredor’, de Paulo Alípio e Perseu Azul (MT); ‘A Nave Que Nunca Pousa’ de Ellen de Morais (PB); ‘Arame Farpado’, de Gustavo de Carvalho (SP); e ‘Mãe’, de João Monteiro (RS).
Prêmio Dira Paes
Na cerimônia de encerramento, marcada para o dia 20 de julho, a atriz Dira Paes retorna ao festival onde recebeu seu primeiro prêmio de Melhor Atriz em 1996 por ‘Corisco & Dadá’. A artista entregará pessoalmente o Prêmio Dira Paes, que homenageia mulheres com atuação de destaque no audiovisual e em causas socioambientais. O nome da homenageada desta edição será revelado no palco, como parte da celebração de trajetórias que transformam o cinema brasileiro.
Créditos: TV Cultura




