Quando Covatti Filho se lançou candidato ao Piratini, o
objetivo era evitar a divisão entre o grupo que defende o apoio
a Gabriel Souza, com Ernani Polo na vaga de vice, e o que
prefere uma aliança com o PL, na qual o PP indicaria o
companheiro de chapa. A situação mudou nos últimos dias, a
ponto de o secretário do Desenvolvimento Regional, Vilson
Covatti, dizer para quem quiser ouvir que o filho será
governador, com o deputado Sanderson (PL) de vice e Luciano
Zucco na disputa por uma das duas cadeiras do Senado.
Nesta sexta-feira (29), no almoço de abertura da Casa da RBS na
Expointer, Covatti repetiu essa história sem pedir segredo — e
os trechos principais puderam ser ouvidos nas mesas vizinhas.
Embora tenha considerado que ele não deveria ter aberto o
jogo, um dos líderes envolvidos nas negociações com o PL
confirma que as conversas estão bastante avançadas e
envolvem figuras como Ciro Nogueira (PP) e Valdemar Costa
Neto (PL).
Os líderes dos dois partidos ficaram alarmados com uma
pesquisa interna encomendada pelo PL, não só pelas intenções
de voto, mas pelo potencial dos candidatos, em uma avaliação
qualitativa sobre suas fortalezas e fragilidades. O que essa
pesquisa mostra, segundo líderes que tiveram acesso ao
relatório completo, é que, se a eleição fosse hoje, a direita no
Rio Grande Sul estaria em maus lençóis.
Zucco aparece tecnicamente empatado com Juliana Brizola
(PDT). No Senado, Marcel van Hattem (Novo), que concorreria
em aliança com o PL, perderia para Eduardo Leite (PSD) e
Manuela DʼÁvila, que ainda não escolheu seu partido.
Como a eleição do Senado é de turno único, essa pesquisa fez
soar o alerta entre os caciques, que consideram fundamental
aumentar a relevância da direita no Senado. Zucco seria, na
avaliação desses líderes, mais viável do que Van Hattem, ser o homem mais próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro no
Rio Grande do Sul.
Zucco contesta a versão de Covatti, reforçando que vai
encabeçar a chapa que terá Sanderson e Van Hattem como
candidatos ao Senado: — Essa estratégia não condiz com a realidade. Inclusive já
havia deixado claro que é uma narrativa que só atrapalha.
Quero muito ter o Progressistas no projeto. Um partido que
respeito e temos afinidades ideológicas. Quanto à pesquisa, vi
várias que não retratam esses números. Pesquisas com Marcel
na frente e Sanderson pontuando bem.
Máquina de fazer votos
A família Covatti é conhecida no Rio Grande do Sul como uma
máquina de fazer votos. Tanto é assim que, mesmo antes de
Covatti Filho se lançar candidato a governador, já estava
decidido que em 2026 ele e a mãe, Silvana, concorreriam a
deputado federal, se ela não fosse disputar a eleição como vice
governadora.
Agora, a aposta da família é eleger Silvana deputada federal e
apoiar três candidatos a deputado estadual — a esposa de
Covatti Filho, Nicole Weber, vereadora em Santa Cruz do Sul, o
ex-presidente da Famurs Salmo Dias e o irmão de Silvana,
Sandro Franciscatto.
Régua lá em cima
Depois de formalizada a federação entre PP e União Brasil, a
régua das expectativas subiu. Os dois partidos esperam eleger
14 ou 15 deputados estaduais e cinco ou seis federais.
Na lista de apostas para a Câmara, estão os atuais deputados
Pedro Westphalen e Afonso Hamm (PP) e Luiz Carlos Busato
(União), além de Onyx Lorenzoni, Silvana e o neto do senador
Luis Carlos Heinze, Luís Vicente, que está sendo preparado
para ser seu herdeiro político.
Heinze deve se aposentar da política, já que na avaliação do
partido não tem chance de se reeleger e não está disposto a
concorrer a deputado federal, porque prefere trabalhar para o
neto.
Créditos: GZH


