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Pesquisadores da Fronteira Sul, lançam livro historiográfico composto por artigos acadêmicos que evidenciam temáticas meridionais

Obra digital escrita por historiadores será apresentada oficialmente no XXI Encontro Estadual de História da ANPUH-SC em Chapecó

Redação por Redação
6 de agosto de 2026
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Pesquisadores da Fronteira Sul, lançam livro historiográfico composto por artigos acadêmicos que evidenciam temáticas meridionais

Uma viagem por diversos períodos da história regional, percorrendo caminhos que vão de ferrovias, picadas e antigas rotas tropeiras, com pausas garantidas para o chimarrão e boas conversas sobre política, migrações, povos indígenas amazônicos, movimentos sociais, literatura e outras temáticas transfronteiriças do Sul do Brasil.

 

O mais inspirador dessa jornada é que para embarcar na expedição, não é preciso sair de casa, basta apreciar a leitura e ter interesse pela história regional.

 

A plataforma de acesso é o livro Territórios, Memórias e Resistências no Sul do Brasil, que será apresentado oficialmente durante o XXI Encontro Estadual de História da ANPUH-SC, realizado entre os dias 18 e 21 de agosto, no Campus da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Chapecó.

 

A jornada historiográfica, organizada por Antonio Marcos Myskiw, Ernoi Luiz Matielo e Humberto José da Rocha, reúne 18 pesquisadores em 13 artigos distribuídos ao longo de 310 páginas, oferecendo um amplo panorama sobre os acontecimentos históricos regionais.

 

A coletânea reúne artigos que, em sua maioria, resultam de pesquisas desenvolvidas por mestrandos e doutorandos do PPGH/UFFS, muitas delas em parceria com seus orientadores e aprimoradas durante as disciplinas do programa. A obra integra ainda trabalhos apresentados em simpósios temáticos e outros espaços de divulgação científica.

 

A obra editada pela Acervus Editora e pela Virtual Pictures, já está disponível para download gratuito no formato e-book, no endereço:  https://www.acervuseditora.com.br/nossasobras/territorios-memorias-e-resistencias-no-sul-do-brasil/.

 

A apresentação oficial acontece na quarta-feira (19), durante o espaço reservado para o lançamento de livros e atividades culturais, com início previsto para as 17h30, no terraço da Biblioteca (Bloco da Biblioteca), sala 105, e contará com a presença dos autores.

 

Segundo os organizadores, o acesso ao evento é gratuito e aberto ao público, reforçando o papel da universidade na valorização da história regional. A obra reafirma a pesquisa acadêmica como ferramenta de preservação da memória, fortalecimento da cidadania e promoção do desenvolvimento social e cultural.

 

Conheça os artigos que integram a obra:

 

No artigo “Cemitério Redondo: patrimônio caboclo nos caminhos das tropas nos altos catarinenses”, Ernoi Luiz Matielo e Humberto José da Rocha investigam o antigo cemitério localizado em Piratuba (SC) como um importante patrimônio cultural da comunidade cabocla. Com base em pesquisa bibliográfica, documentos históricos e relatos orais, os autores resgatam a memória e o protagonismo dos moradores da região entre 1897 e 2007. O estudo desconstrói lendas sobre a origem do local, relacionando sua formação às antigas rotas de tropeirismo e colonização, e aponta seu potencial como espaço de preservação da memória e de desenvolvimento do necroturismo cultural.

 

No artigo “A Exploração ervateira na fronteira argentino-brasileira em Misiones (1876-1910)”, Bruno Aranha investiga os impactos da exploração da erva-mate na fronteira entre Argentina e Brasil no fim do século XIX e início do XX. Com base em documentos oficiais, relatórios técnicos e ampla revisão historiográfica, o autor demonstra que a fragilidade da fiscalização estatal favoreceu a concentração fundiária, o contrabando, a evasão fiscal e a superexploração da mão de obra. O estudo revela como interesses privados se sobrepunham à atuação do Estado, transformando a região em uma fronteira marcada por intensos conflitos econômicos e territoriais.

 

No artigo “Caboclos e colonos no Faxina do Tigre: rupturas e transformações na paisagem (décadas de 1910 a 1950)”, Angela Regina da Silva Sulsbach e Marlon Brandt analisam os impactos da colonização particular sobre a população cabocla no atual município de Guatambu (SC). Com base em mapas, documentos históricos, legislação e relatos orais, os autores mostram que a expansão da propriedade privada provocou a expropriação dos posseiros e profundas mudanças na paisagem regional. O estudo evidencia que a atuação das companhias colonizadoras e do poder público contribuiu para a desterritorialização dos caboclos e sua inserção como mão de obra assalariada.

 

No artigo “Monarquia e República: leis brasileiras que ampliaram a exclusão dos povos do contestado”, Jucemar Antonio Souza da Luz analisa como a legislação brasileira contribuiu para a marginalização de caboclos, indígenas e negros na região do Contestado. A partir da análise de leis e decretos da Monarquia e da República, o autor demonstra que o ordenamento jurídico favoreceu a concentração fundiária e a colonização, rompendo a relação histórica dessas populações com a terra. O estudo conclui que essas normas transformaram antigos ocupantes em “intrusos” em seus próprios territórios, ampliando a exclusão social e étnica.

 

No artigo “Espaço rural, ruralidade e a transformação da paisagem no núcleo colonial de Nova Teutônia (1920-1960)”, Maicoln Viott Benetti analisa os impactos da imigração alemã na reconfiguração do espaço rural em Nova Teutônia, atual município de Seara (SC). Com base em documentos históricos, fotografias e mapas, o autor demonstra que a convivência inicial entre imigrantes, indígenas e caboclos deu lugar à expansão de um modelo capitalista de ocupação do território. O estudo evidencia que esse processo transformou a paisagem e fortaleceu novas identidades rurais, ao mesmo tempo em que contribuiu para a marginalização das populações originárias e caboclas.

 

No artigo “Entre a liberdade e a exclusão: o caso Jeronymo e a experiência negra no pós-abolição em Palmas-PR”, Carlos Eduardo Cardoso investiga a persistência do racismo e da exclusão da população negra após a abolição da escravidão. Com base em processos judiciais, inquéritos policiais e documentos oficiais, o autor reconstrói a história de Jeronymo, um idoso negro ex-escravizado assassinado no início do século XX. O estudo revela que práticas discriminatórias e estruturas de poder herdadas do período escravista continuaram marcando a vida da população negra mesmo durante a República.

 

No artigo “Capitalismo e fronteira: uma proposta de estudo sobre a precarização do trabalho (i)migrante no Brasil (2019-2024)”, Edinei Marcos Grison analisa como as fronteiras brasileiras contribuem para a precarização das condições de trabalho de migrantes e imigrantes. Com base em referenciais da economia política, estudos sobre migração e indicadores socioeconômicos, o autor demonstra que a vulnerabilidade jurídica e social desses trabalhadores é utilizada como mecanismo de exploração no capitalismo contemporâneo. O estudo conclui que as fronteiras funcionam como instrumentos de controle que favorecem a flexibilização dos direitos trabalhistas e a acumulação de capital.

 

No artigo “Marcas e migrantes: uma leitura arqueológica da paisagem do garimpo na Amazônia Setentrional – Território de Roraima (1960-1980)”, Rosângela Maria Bezerra da Costa investiga como o garimpo e os fluxos migratórios transformaram a paisagem de Roraima entre as décadas de 1960 e 1980. Com base em documentos oficiais, mapas, legislações e manifestações culturais, a autora demonstra que a atividade garimpeira redefiniu o território e construiu novas identidades regionais. O estudo conclui que o garimpo deixou marcas permanentes na paisagem e na memória coletiva, apesar dos impactos sociais e ambientais provocados pela exploração mineral.

 

No artigo “Interdisciplinaridade e a interlocução com a imigração e as relações de trabalho em Capinzal-SC”, Samara Leorato analisa a inserção de imigrantes africanos no mercado de trabalho de Capinzal (SC) a partir de uma abordagem interdisciplinar. Com base em dados do IBGE, reportagens e referências das ciências sociais, a autora demonstra que compreender o fenômeno exige a integração entre diferentes áreas do conhecimento. O estudo aponta que, apesar da atração econômica exercida por Santa Catarina, os imigrantes ainda enfrentam precarização nas relações de trabalho e dificuldades de integração sociocultural.

 

No artigo “Entre desafios e mobilizações: as caravanas de Lula pelo Brasil (1993 a 2018)”, Cesar Capitânio analisa o papel das Caravanas da Cidadania como instrumento de mobilização popular e articulação política lideradas por Luiz Inácio Lula da Silva. Com base em reportagens, obras acadêmicas e publicações sindicais, o autor mostra que as viagens contribuíram para o diagnóstico de demandas sociais e a formulação de políticas públicas. O estudo conclui que, enquanto as caravanas dos anos 1990 fortaleceram propostas de combate à pobreza, a edição de 2018 ocorreu em meio à intensa polarização política e a episódios de protestos e confrontos.

 

No artigo “A mística do MST e a música de Cenair Maicá no Instituto Educar”, Miguelângelo Corteze, Antonio Marcos Myskiw e João Carlos Tedesco investigam a influência da obra de Cenair Maicá na formação política e cultural dos movimentos camponeses ligados ao MST. Com base em entrevistas, registros históricos inéditos e uma prática pedagógica com estudantes de Agronomia, os autores demonstram que a música missioneira fortaleceu a consciência crítica e a mobilização pela luta pela terra. O estudo destaca o papel da produção artística como instrumento de denúncia social e de resistência às estruturas do latifúndio.

 

No artigo “A escola como rugosidade: primeira casa familiar de Santa Catarina em Quilombo”, Alex Ruan Vedovatto Kucmanski analisa a trajetória da primeira Casa Familiar Rural de Santa Catarina a partir do conceito de “rugosidade”, de Milton Santos. Com base em pesquisa bibliográfica, documentos institucionais e dados oficiais, o autor demonstra como a escola preserva a memória da Pedagogia da Alternância e fortalece a agricultura familiar. O estudo conclui que a instituição se consolidou como um espaço de resistência, contribuindo para a permanência da juventude no campo e para o desenvolvimento das comunidades rurais.

 

No artigo “Retalhos que contam: entrelaçando experiências no ensino de Ciências Humanas com o uso de literatura para crianças”, Gerson Junior Naibo e Janaina Gaby Trevisan apresentam uma experiência pedagógica que integra literatura infantil e ensino de Ciências Humanas em escolas públicas catarinenses. Utilizando o livro A colcha de retalhos e atividades desenvolvidas com estudantes e suas famílias, os autores demonstram que a proposta fortaleceu a memória, o sentimento de pertencimento e a compreensão crítica do espaço vivido. O estudo reforça o potencial da literatura como ferramenta para tornar o ensino mais significativo e aproximar a escola da realidade dos alunos.

 

Agência Press – Virtual Pictures

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