Os shows iniciaram poucos dias após ela conquistar o Grammy de ‘Melhor Álbum de Pop Latino’ por “Las Mujeres Ya No Lloran”, em tradução livre “As mulheres já não choram”.
O país foi selecionado pela identificação antiga com a voz de “Waka Waka”. Os fãs brasileiros acompanham e apoiam a carreira dela desde o início, sendo também responsáveis por fazer a colombiana ‘bombar’ internacionalmente.
A relação é tanta que Shakira até aprendeu a falar português, idioma que ela usou com perfeição durante a passagem pelo país para elogiar os fãs, demonstrar carinho e agradecer pelo apoio ao longo dos anos.
Para estar perto dela, os fãs precisaram desembolsar cerca de R$ 14 mil. O pacote dava direito a um ingresso de Pista Premium, fotos com a cantora, um item autografado, um acesso ao lounge VIP no pré-show, item exclusivo de merchandising e outros acessórios da turnê. O Meet and Greet para o Rio de Janeiro e São Paulo estavam esgotados.
A advogada Alice de Souza, de 28 anos, foi uma das 28 pessoas que puderam conhecer Shakira no Rio de Janeiro. A fã saiu da cidade de Ubá, em Minas Gerais, para finalmente abraçar a sua cantora favorita.
“Eu comprei no susto e pensei: “Ah, eu tenho sete dias para refletir se estou disposta mesmo a arcar com isso, porque nesse período eu poderia cancelar. Mas assim, foi uma surpresa muito grande”.
Com o Meet and Greet, passagens, hospedagens e o show de São Paulo, ela estima que o gasto girou em torno de R$20 mil. Para arcar tudo, ela ressalta que aumentou a produtividade no trabalho.
“Uma coisa que meu namorado me falou me ajudou muito. Ele disse ‘chegar no fim da vida, o que vai valer mais para você? ter esse dinheiro em conta ou ter tido a experiência de conhecer a artista que você é mais fã? Não tem outra pessoa que eu acompanhe e que eu admiro tanto quanto a Shakira”, explica a advogada.
Alice de Souza ainda faz uma comparação com um gasto de celular. Hoje, é possível encontrar aparelhos mais modernos com valores similares aos do Meet and Greet. “Eu não tenho coragem de gastar com um celular, mas tive coragem de gastar com essa experiência. Cada um sabe o que vale a pena e eu faria de novo”.
O valor é quase cinco vezes maior do que o gasto médio mensal dos brasileiros com atividades culturais no país, que fica em R$ 40 por família, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No Brasil, 38% das pessoas se declaram como fãs, seja de um ídolo da música, do esporte, audiovisual, como filmes e séries, ou até de games.
Um abraço, uma foto, um pôster autografado e uma declaração de ‘eu te amo’. Essas foram as quatro ações de Alice durante o tão aguardado encontro com Shakira. O choque de estar ao lado de sua artista favorita ‘paralisou’ a fã.
“Eu ficava ensaiando em casa o que eu iria falar para ela, mas na hora que chegou a minha vez, já entrei chorando. Acho que ela sentiu muito que eu era muito fã e que era algo muito importante para mim. Eu abracei ela e ela me apertou no abraço. Eu consegui falar que ela é muito importante para mim e que a música dela sempre está comigo”, revela.
Nos poucos minutos em que esteve com Shakira, a advogada afirma que a cantora foi bastante carinhosa, e ainda muito humilde, simples e atenciosa com os seus admiradores.
“Eu olho a foto pelo menos umas cinco vezes por dia, todo dia eu estou olhando e pensando se isso aconteceu mesmo. É surreal, porque são 20 anos. Quando eu era criança, era algo inimaginável, inalcançável. Eu tenho levado isso para minha vida no sentido de que se eu consegui isso, tudo que eu sonho é capaz de acontecer algum dia”, reflete.
Os longos anos até o abraço
Alice de Souza é fã de Shakira desde os 9 anos. A admiração pela colombiana surgiu após assistir uma reprise de um programa da Hebe Camargo, no SBT, que contou com uma apresentação da cantora. A advogada relata que após a performance passou a acompanhar a carreira da artista.
“Estou quase completando 29 anos, tem 20 anos que eu sou fã dela. E naquela época, eu não tinha acesso à internet na minha casa. Era difícil ter acesso aos CDs e as notícias sobre ela. Eu só sabia daquilo que passava na TV e nas rádios”, conta.
Com o tempo e evolução da tecnologia, a mineira afirma que passou a seguir ainda mais os passos da diva pop. Segundo Alice, o primeiro CD com que teve o contato direito foi em 2006, com o lançamento do álbum ‘Fijación oral, Vol. 2’.
“Eu me apaixonei mais ainda, porque a apresentação que eu vi no programa foi de “Whenever Wherever”, que até hoje é a minha música favorita. Mas quando eu tive acesso ao álbum, eu me apaixonei mais ainda e desde então não parei de acompanhar”, revela a fã.
Além dos CDs, ela relata que também acompanhava os lançamentos de Shakira pelos programas da MTV ainda na TV aberta. “Eu estou desde sempre acompanhando tudo que ela lança. Eu nem lembro mais de como era antes de ser fã”, brinca.
Apesar de tantos anos sendo fã, a primeira oportunidade para ver a cantora ocorreu somente em 2018, com a turnê “El Dorado”, em São Paulo. A colombiana também esteve no Brasil entre 1996 e 1997, 2005 e 2011. Mesmo com uma experiência incrível no primeiro show, a advogada conta que a “Las Mujeres Ya No Lloran World Tour” ganhou um lugar especial na sua vida.
A artista trouxe uma grande estrutura ao Brasil. Um telão enorme atrás do palco, uma passarela que chegava quase na pista comum do estádio, além de um grande lobo ao centro do palco. Ela também fez diversas trocas de figurinos ao longo de toda apresentação.
“Acho que faz muito sentido ela começar a turnê no Brasil, é um momento da carreira que ela está muito agradecida aos fãs por todo o apoio que recebeu nos últimos anos. Se é um momento que ela deseja celebrar a carreira, acho que nada melhor do que começar pelo país a acolheu”, aponta Alice.
Os fãs também se impressionaram com o tamanho da estrutura desenvolvida para a turnê. Mesmo com altas expectativas, Alice afirma que não imaginava tantos elementos no palco.
“Nenhum de nós imaginava quão grande seria a estrutura. Ela nunca fez nenhuma turnê com tanta estrutura, com tanta troca de roupa, com tantos elementos no palco. Então, a gente está muito muito feliz. Com certeza, foi o melhor show da minha vida. Ela se comunicou muito com o público, o tempo todo em português. E, assim, foi uma experiência única, porque a gente não sabia. Então, foi muita emoção, muita alegria”, destaca.
Créditos: TV Cultura




