O Tribunal do Júri acolheu integralmente as teses do Ministério Público e condenou Claudia Tavares Hoeckler pelos crimes de homicídio duplamente qualificado (asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima), ocultação de cadáver e falsidade ideológica. A juíza Jéssica Evelyn Campos Figueredo Neves fixou a pena em 20 anos e 24 dias de reclusão, em regime inicial fechado.
Claudia foi acusada de matar o marido, Valdemir Hoeckler, em novembro de 2022, na comunidade de Linha São Brás, interior de Lacerdópolis. Segundo a denúncia, ela dopou o companheiro, amarrou seus membros e o asfixiou com uma sacola plástica. Em seguida, ocultou o corpo dentro de um freezer e foi confraternizar com amigas. No dia seguinte, registrou o desaparecimento e participou das buscas pelo marido.
O julgamento começou às 9h de quinta-feira (28) e se estendeu até as 20h45min desta sexta-feira (29), totalizando mais de 25 horas — um dos júris mais longos já registrados na região. Durante os dois dias, dezenas de pessoas aguardaram em fila para assistir à sessão. Familiares da vítima e da ré, além de membros da comunidade, acompanharam atentamente todo o processo.
Ao todo, 12 testemunhas haviam sido arroladas, mas duas não compareceram. O interrogatório da ré começou na noite do primeiro dia; Claudia passou mal durante a sessão, precisou de atendimento do Corpo de Bombeiros e só concluiu seu depoimento no dia seguinte.
Os debates entre acusação e defesa tiveram início na tarde de sexta-feira, com cada lado utilizando integralmente seus 90 minutos de argumentação, seguidos por réplica e tréplica. Um dos momentos mais marcantes foi a apresentação do freezer usado para ocultar o corpo, colocado no centro do plenário pelo Ministério Público.
Na acusação atuaram os promotores de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos e Diego Bertoldi, com o apoio do advogado Álvaro Xavier, assistente da acusação. Eles desconstruíram a tese da defesa de que Claudia teria cometido o crime em razão de violência doméstica, citando que a ré registrou apenas um boletim de ocorrência em 2019, relatando ameaças do marido. Na ocasião, ela admitiu não ter sido agredida fisicamente e retirou a queixa dias depois.
A defesa foi conduzida por sete advogados: Matheus Molin, Jader Marques, Gabriela Bemfica, Casseano Barbosa, Tiago de Azevedo Lima, Eduardo Rebonatto e Guilherme Pittaluga Hoffmeister.
Após a leitura dos quesitos, os sete jurados — quatro mulheres e três homens — votaram pela condenação, reconhecendo a materialidade do crime e suas qualificadoras.
Créditos: Portal Caco da Rosa / MPSC/Divulgação




