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Agro brasileiro deveria pressionar Congresso dos EUA contra tarifaço, diz professor da FGV

Especialista em relações internacionais ressalta que Brics não ameaça dólar como balizador econômico, mas sim medidas do próprio Trump

Redação por Redação
21 de julho de 2025
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Agro brasileiro deveria pressionar Congresso dos EUA contra tarifaço, diz professor da FGV

Créditos: Canal Rural 

Há 10 dias do prazo, o governo dos Estados Unidos ainda não se pronunciou oficialmente sobre possíveis negociações ou o adiamento da tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras que podem começar a valer em 1º de agosto.

Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou nesta segunda-feira (21) que o Brasil não sairá da mesa de negociações e que a equipe econômica trabalha em um plano de contingência para ajudar os setores mais atingidos pelo tarifaço.

De acordo com o professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Vinícius Vieira, é importante destacar que o Brasil tem demonstrado disposição em negociar antes mesmo do anúncio de aumento das tarifas, feito em 9 de julho.

Aos produtores rurais e às entidades que representam o agro brasileiro, Vieira ressalta que a saída é se aliar com pessoas e organizações norte-americanas que também sairão prejudicadas com o tarifaço de Donald Trump.

“Fazendo pressão, principalmente no Congresso americano, mostrando que, principalmente, quem vende café e suco de laranja brasileiro lá nos Estados Unidos vai ter prejuízo em função desse tarifaço. Assim, quem sabe os congressistas, inclusive democratas, já que a política nos Estados Unidos, do Congresso, é muito fundamentada em interesses locais, consigam um canal de acesso para que Trump pelo menos reveja as tarifas parcialmente para alguns setores”, considera.

De acordo com o professor, é acertada a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao buscar agregar líderes de outros países com políticas de centro-esquerda semelhantes a sua — casos de Chile, Espanha, Uruguai e Colômbia, como acontece nesta segunda, na capital chilena, durante a Reunião de Alto Nível “Democracia Sempre — para que o Brasil não fique isolado politicamente e economicamente no cenário global.

“Mas, de toda maneira, esses são movimentos que visam, ao meu ver, muito mais o longo prazo, em buscar novos mercados”, ressalta.

Segundo Vieira, a proximidade com a Espanha, país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é ainda mais importante, visto que se trata do país europeu mais resistente às políticas de Trump e que poderia exercer influência nas demais nações que compõem o bloco para impedir o chefe da Casa Branca de pressionar ainda mais o governo brasileiro.

A respeito do Brics, que já deu demonstrações que pretende buscar outras moedas como referência para negociações, o professor da FGV enxerga como precipitada a preocupação de Donald Trump.

“O grande risco hoje para o dólar, o Trump deveria perceber, está nas ações do seu governo, aumentando a dívida pública americana e, ao mesmo tempo, rompendo alianças tradicionais. Lembrando que até mesmo países como Coreia do Sul, Japão, União Europeia, aliados tradicionais dos Estados Unidos, estão sujeitos a tarifas de 30%. […] Então, o grande risco hoje para a própria força do dólar no cenário internacional tem um único nome: não é Brics, não é Lula, mas é Donald Trump”, conclui.

Créditos: Canal Rural

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