Quatro secas, uma enchente histórica e R$ 150 bilhões em prejuízos nos últimos anos. Esse é o passivo enfrentado por produtores rurais do Rio Grande do Sul. que acumulam dívidas rurais impagáveis.
Na tentativa de resolver o problema, a Resolução 5.220 do Conselho Monetário Nacional (CMN), publicada nessa quinta-feira (29), prorroga por três anos as dívidas de custeio. Para as parcelas de investimento com vencimento neste ano, o prazo será estendido por um ano.
Os produtores com dívidas contraídas no Pronaf e no Pronamp poderão renegociar os débitos de até R$ 90 mil. Além disso, a instituição financeira só pode renegociar até 8% do saldo das parcelas de custeio com vencimento em 2025, contratadas com recursos equalizados pelo tesouro nacional.
Mas a solução oferecida pelo Governo Federal, não agradou os agricultores do estado. Prova disso é a continuidade dos protestos que bloqueiam rodovias importantes e que se seguiram nesta sexta-feira, um dia após a publicação do CMN. A estimativa é que as mobilizações estão espalhadas em mais de 60 municípios gaúchos.
No Nordeste gaúcho, um dos pontos de manifestações é o trevo de acesso à Paim Filho, onde produtores rurais, sindicatos, lideranças e representantes do agronegócio da região, se reuniram na última sexta-feira (30), em defesa da securitização.
As manifestações ganharam força em outros pontos da região, como em Sananduva, em que o antigo posto Copelli, recebeu os manifestantes. São José do Ouro, foi outro município, em que ouve protesto, com movimentações no entroncamento da ERS-343, em frente ao Turcão.
Lideranças regionais, que fazem parte do movimento, não descartam novas mobilizações para os próximos dias, já que segundo o grupo, o melhor, seria uma solução a longo prazo, como a securitização de R$ 60 bilhões para pagamento em 20 anos. O projeto do senador Luís Carlos Heinze já foi aprovado pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado e aguarda apreciação da Comissão de Assuntos Econômicos.
“Prometeram quatro anos [de prorrogação de dívidas], ofereceram três anos, tem problemas com o Pronamp, com o Pronaf, com o limite de 8% para os demais. Será um problema para o Sicredi, por exemplo, que não vai ter condição de contemplar todos os agricultores. Os outros bancos da mesma forma. Não saiu na resolução a questão específica dos bancos de fábrica, que muita gente tem problema. Então tem muito a consertar”, diz o senador Luiz Carlos Heinze.
A rádio Educadora, acompanhou as mobilizações na região Nordeste, e ouviu forças de liderança de Paim Filho, como o vereador Elvis Conte Menin, da bancada do MDB, além do parlamentar Igor Conte, da bancada do PT, além do produtor rural Rodrigo Dal Pra, vice-presidente do Sindicato Rural.
Para o gestor Murilo Pasquetti Flôres, diretor da rádio educadora, que acompanho a mobilização da última semana, diante das dificuldades que os agricultores vem enfrentando nos últimos anos, anos de seca, seguido de muita chuva, não é possível uma resistência, sem uma ajuda: “Nós da rádio Educadora, sempre nos solidarizamos com o pessoal do agro, até porque a emissora historicamente, sempre teve muito carinho e apreço pela classe rural, parte significativa de nossa audiência, e cada vez mais queremos estar engajados com movimentos que não deixarão o Brasil parar”, afirmou.
Entenda a securitização:
A securitização é um processo que facilita a antecipação de recebíveis e a transformação de dívidas em títulos negociáveis. A mobilização, nesse contexto, refere-se ao movimento de grupos que buscam a securitização de suas dívidas para obter benefícios financeiros ou para renegociar suas dívidas em condições mais favoráveis.
Créditos: Rádio Educadora




